Formando famílias ao longo de sua história
Ao caminhar pelo Ipê Clube, não se vê apenas uma estrutura para a prática de esportes e realização de atividades culturais e sociais. O associado que dá vida à essa instituição é o patrimônio mais valioso que o clube tem e isso pode-se comprovar ao conversar com vários personagens desta matéria que viveram intensamente o clube e formaram suas famílias ipeanas também. Com a celebração de seus 80 anos, a instituição reafirma sua missão para perpetuar essa essência que aproxima as pessoas, e transformou o convívio social em um legado que já alcançou a quarta geração de muitas famílias. Esse é o tema principal desta reportagem que tem o objetivo de demonstrar como isso foi formado e a importância do Ipê para seus frequentadores mais assíduos.
Missão: Oferecer um espaço seguro ao associado, adequado às práticas do esporte e do lazer, no qual se construa um ambiente familiar, contribuindo para a sua qualidade de vida e bem-estar.
O Ipê Mirim faz parte da vida de diversos associados Para muitas dessas famílias, a história de amor com o clube não começa nas quadras, mas na “escolinha”. O Ipê Mirim é citado por diversos associados como o primeiro ponto de contato com a instituição. Vera Gargiulo, sócia desde 1964, enfatiza que a relação com a instituição transcende o lazer. “Para mim, o Ipê é muito além da parte social e esportiva, a relação começa já na educação, quando lá atrás, meus filhos estudaram na escolinha Ipê Mirim”. Esse sentimento é ecoado por Camilla Perri Barbosa Pereira, cuja linhagem ipeana é bem grande, começando por seu avô Camilo, que foi tesoureiro e presidente do clube, até sua filha Olívia de 10 anos que faz diversas atividades esportivas. Ela relata com bastante carinho como o clube moldou sua identidade desde o berço. “Eu sou sócia do Ipê desde quando eu nasci... minha base familiar vem do Ipê e fico muito feliz que minha filha adora vir ao Ipê e hoje faz aula com a professora Wilma, que já dava aula no clube quando eu fazia o ballet aqui”.
O Refúgio e a Segunda Casa
Alberto Besser, mais conhecido como Beto Besser, completou 60 anos de clube em 2025 e descreve o Ipê como santuário dentro do caos da metrópole. “Em uma cidade como São Paulo, o Ipê se torna um verdadeiro refúgio no dia a dia”, afirma. Ele destaca a simplicidade das relações que construiu ao longo de sua trajetória e sua família. “O fator fundamental e talvez o grande diferencial do Ipê, sempre foi o clima descontraído, familiar e acolhedor... não há formalidade excessiva”. Para Silvio Pomin, o vínculo é tão estreito que o clube foi palco de seus marcos de vida mais importantes. “Com certeza o clube era nossa segunda casa... conheci a Barbara, minha esposa, no clube”, conta Silvio, que também ficou noivo em um evento aqui no Ipê. Ele reforça que o vínculo que foi criado com seus amigos de infância estão consolidados e vão ser assim para uma vida toda. “Meus amigos do Ipê são como membros da minha família, muitos ainda são sócios”.
Memórias de uma Infância Analógica
Antes dos smartphones, o clube vibrava de uma forma um pouco diferente. Camilla recorda as tardes intermináveis de verão: “Brincávamos de polícia e ladrão valendo o clube inteiro... passávamos o dia na piscina, depois comíamos no antigo bar do Passarinho, e por fim jogávamos fute-chuva na quadra de society”. Ela ainda lembra do tempo que havia alto-falantes pelo clube que a portaria utilizava para ajudar os pais na busca por seu filho. Silvio também carrega lembranças bem agitadas, marcadas por eventos que uniam a garotada, como a “Olimpíada Roxo e Amarelo” e o “Rock Stadium” aos sábados. Já Beto Besser completa esse quadro nostálgico lembrando das transformações físicas que acompanhou e que deram lugar para outra estrutura para atender às demandas dos sócios. “Já tivemos quadra de vôlei de saibro, quadra de futsal onde hoje é o estacionamento, canchas de bocha, quadra de pelota, academia onde hoje é o parquinho e tantas outras mudanças.
Tradições que resistem ao tempo
O esporte no Ipê sempre foi muito mais do que atividade física aqui no Ipê ou em qualquer outro lugar. Beto Besser descreve rituais que demonstram isso muito claramente, como a confraria após o tênis: “Depois do jogo, sentar no bar do deck do Tênis... para participar da confraria da ‘Boca Maldita até hoje me traz muitas recordações. Muita resenha inesquecível nesses últimos anos”. Ele também menciona o “Encontro do Whisky” às quartas-feiras como um ponto de reunião para amigos de décadas. Essa dedicação ao esporte começa cedo. Silvio relata ter praticado quase todas as modalidades disponíveis — do tamboréu ao squash, da natação ao voleibol de areia. Hoje, ele mantém a tradição jogando futebol de campo e tênis, garantindo que o ciclo continue com seus filhos Murilo e Matheus, que já possuem sua própria turma de amigos ipeanos. Vera segue o mesmo ritmo, tendo passado da ginástica olímpica na infância para a musculação diária na fase atual, provando que o clube acompanha o ritmo de vida do associado em todas as idades. Alberto Besser com a esposa Cristina e os filhos Rodrigo e Alexandre. Camilla com os avós, mãe, tios, irmão, sobrinhos e filha, todos ipeanos.
O Legado das Festas e a Construção do Futuro
As festas sociais, com destaque absoluto para a Festa Junina, são o ápice do espírito comunitário. Para Vera, esse era o momento em que a barreira entre sócio e organizador desaparecia: “É impossível não lembrar das grandes festas juninas, que era o evento esperado o ano todo pelos sócios que trabalhavam nas barracas e eles mesmos preparavam todas as comidas e brincadeiras”. Camilla adiciona a essa lista os bailes de carnaval e as apresentações de dança de final de ano, que marcavam o encerramento de ciclos anuais. Ao olhar para os próximos 80 anos, o sentimento predominante é o de responsabilidade em manter essa herança viva. Silvio, que serviu tanto no Conselho Deliberativo quanto na Diretoria Executiva como Presidente e Diretor, resume o desejo de todos os veteranos: “Participei ativamente... sempre tentando ajudar a manter o clube saudável e que as próximas gerações consigam curtir e fazer amizades como eu consegui na minha vida”. Beto Besser vê a história se repetindo com orgulho, notando que seus filhos, Alê e Rodrigo, já cultivam amizades de mais de 30 anos dentro do clube. O Ipê Clube, portanto, celebra seus 80 anos de história não apenas como um espaço para a prática esportiva ou cultural, mas como um lugar em que as pessoas estreitam relações e preservam uma identidade que fica marcada por uma vida toda. É, como define Camilla ao observar sua filha aprender ballet com sua antiga professora, a definição pura do que é ser ipeano: “Isso é Ipê!”.