Turma dos Jacarés

A história da Turma dos Jacarés no Ipê Clube é um exemplo marcante de como o esporte e a convivência social constroem vínculos duradouros que atravessam gerações. O grupo surgiu de forma espontânea na década de 1960, a partir das partidas de tamboréu realizadas na quadra C. Reunindo majoritariamente associados veteranos e aposentados, o encontro não se limitava ao jogo: após as partidas, os membros mantinham o hábito de realizar almoços coletivos onde cada um trazia um prato para compartilhar. Durante a semana, esses mesmos associados costumavam passar longos períodos na piscina, descansando de forma tranquila. Foi nesse cenário que Manolo, filho de um dos fundadores do clube, apelidou o grupo de “Jacarés”, em referência ao modo como ficavam à beira da água observando o movimento, nome que logo se tornou símbolo de pertencimento.

A trajetória do grupo é marcada pela integração com outras turmas do clube, como os Quixotes, formados por jogadores das quadras A e B com foco em reuniões familiares, e a CBD (Come, Bebe e Dorme). A CBD, liderada por figuras como Zecão e Thcepe, não jogava tamboréu, mas organizava acampamentos em praias como Barequeçaba e Enseada, utilizando uma Kombi para levar panelas e uma barraca com capacidade para doze pessoas. Personagem central nessa estruturação foi o associado Monteirinho, que resolveu dar nome oficial ao grupo da quadra C e foi o responsável por redigir o estatuto que consolidou a organização. Junto aos demais grupos e a turma da ginástica de Heitor Androzoni e Mário Estefani, Monteirinho ajudou a idealizar o que hoje é o “Clubinho”, transformando as reuniões, em uma tradição institucionalizada.

Com o passar dos anos e após interrupções causadas pelo cansaço natural e pela pandemia, a liderança foi assumida por Armando Francisco Cunha Ferreira Santos, associado há 39 anos. Embora Armando não estivesse no início do grupo, sua experiência com organização de eventos permitiu que ele estruturasse os encontros atuais, que ocorrem todas as sextas-feiras com cerca de 30 participantes. A comemoração dos aniversariantes na última sexta-feira do mês é considerada sagrada, mantendo o espírito social e descontraído, sem regras rígidas e focado no bom senso. Histórias divertidas, como a da caldeirada que caiu no chão e foi servida assim mesmo, reforçam o clima de amizade que motiva o grupo. Hoje, com membros de até 97 anos, a Turma dos Jacarés continua a dar propósito à rotina dos associados, preservando os valores de integração do Ipê Clube.

Assim, os Jacarés seguem mantendo viva uma tradição que traduz, na prática, os valores de amizade, convivência e integração que fazem parte da história do Ipê Clube.  

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