Do terrão ao Padrão FIFA

A história do campo de futebol do Ipê Clube contada por quem viveu cada fase.

Antes de qualquer modernização, o futebol no Ipê acontecia no clássico campo de futebol que tinha as mesmas características dos campos de várzea, com chão duro, irregular com gramado só nas laterais e o centro “careca”. Para Luiz Carlos de Almeida Junior, associado desde 1967, ou seja, desde o nascimento, jogar ali era um “exercício de resistência e adaptação” onde a bola quicava torta e cada queda significava um ralado garantido.

Essa realidade é reforçada pelas memórias de Dalton de Toledo Carrijo, associado desde 1983. Ele recorda que a preparação para o “terrão” era única. “Nesta época tínhamos algumas rivalidades esportivas muito acirradas entre algumas equipes de futebol, então os jogos se tornavam verdadeiros eventos nos campeonatos internos, e, sim, havia uma preparação especial para se jogar no nosso ‘terrão’, chuteiras com cravos”. Dalton destaca que o domínio de bola era uma habilidade para poucos, sendo determinante para o desempenho. Além disso, a meteorologia ditava as regras: quando chovia, o jogo tornava-se “perigoso” devido aos escorregões e entradas mais fortes. O terrão formou caráter, criou histórias e marcou gerações. Para muitos, inclusive Luiz Carlos, foi o primeiro grande palco da vida esportiva.

A chegada da grama natural e o grande dilema
A implantação da grama natural em 2002 foi um divisor de águas, mudando completamente o jogo no Ipê, tornando-o mais técnico, rápido e coletivo. “Nosso sonho era que o campo fosse gramado, e isso aconteceu. De repente tínhamos um campo gramado, muito bem cuidado, ficamos apaixonados” relembra Dalton.

Porém, o sonho trouxe desafios. Para manter a grama em boas condições, eram necessários constantes cancelamentos de jogos. O que teria sido o feito mais maravilhoso do clube se tornou um grande problema, que resultou na drástica diminuição de números de jogos bem como de campeonatos, e com isto houve um esvaziamento de jogadores em nosso clube” relata Dalton. Importante ressaltar também que a rotina diária com treinos da molecada e os torneios para diversas faixas etárias, inviabilizava a manutenção e preservação como deveria ser. Com isso o Ipê, tradicionalmente focado no futebol, via seu número de times encolher.

Modernidade e renascimento
A solução definitiva começou em 2007, com a primeira reforma para a colocação de grama sintética, o que eliminou a dependência das chuvas que transformavam o campo em lama. Dalton credita a “alguns abnegados” a conquista desse novo piso, que resultou em “uma nova vida para o clube, restabelecendo a alegria dos jogos”.

Desde então, o gramado passou por uma reforma, com um novo upgrade em 2026. Dalton descreve os benefícios práticos dessa tecnologia na sua performance: “Posso comprovar uma grande melhoria de performance e de condição física, pois não existem buracos no campo, a uniformidade possibilita um correr sem obstáculos, o domínio de bola torna-se extremamente mais fácil”.

Hoje, o Ipê ostenta uma estrutura de última geração, com iluminação em LED e drenagem eficiente. Para Luiz Carlos, que hoje lidera a Diretoria de Futebol Adulto, “ter hoje um campo de grama sintética de última geração, padrão FIFA, representa a consolidação de uma história construída ao longo de décadas”.

O espírito que nunca mudou
Apesar das transformações físicas, o sentimento permanece intacto. “O futebol no Ipê sempre foi mais do que um jogo, é um encontro de amigos, é tradição passada de pai para filho” afirma Luiz Carlos, que vê seus filhos seguindo seus passos e os de seu pai, ex-jogador profissional.

Dalton sintetiza esse sentimento ao observar a convivência entre gerações: “A boa rivalidade e amizade entre todos os praticantes do futebol, campeonatos internos, bolas mistura, rachões, amistosos, confraternizações hoje são a nossa grande realidade e posso afirmar, pela minha vivência ipeana, que este é o nosso ESPÍRITO PERMANENTE”. Do terrão ao padrão FIFA, o campo do Ipê segue como um patrimônio afetivo, unindo o passado de poeira ao futuro de alta tecnologia.

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